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Longe de lhe ser reconhecido o devido valor, o metal português tem vindo a demonstrar enorme vitalidade. O facto é que o Metal em Portugal continua a ser visto de soslaio por adeptos de outras variantes musicais e no que respeita a uma boa parte dos headbangers portugueses continua a ser considerado como parente pobre da cena metal mundial. Se é verdade que o Metal português não está na vanguarda da cena mundial também é verdade que existem bandas portuguesas com qualidade superior a muitas bandas estrangeiras cujos headbangers nacionais costumam encher (???) recintos de concertos quando estas vêm cá.

Três discos lançados este ano por bandas de Metal nacionais são demonstrativos dessa vitalidade e qualidade.

Terror Empire. O Thrash quer-se bruto.

Os Terror Empire são um dos bons exemplos que não é preciso inventar a roda para ser bom mas nem todos a conseguem fazer rodar da melhor forma. Os thrashers de Coimbra fazem-na rodar à bruta mas com a precisão de um relógio suíço. A banda pega em referências do Thrash e Death das décadas 80 e 90 e cria um híbrido de enorme qualidade.

Brutalidade a montes condimentada com riffs gelados e letras tão meigas quanto a música da banda. Não esperem delicadeza da parte destes rapazes.

O novo “Obscurity Rising” confirma que o que fizeram antes não foi sorte de principiante, nem acidente de percurso. Eles são brutos mas são mesmo bons. 🙂

Skypho. Um “Karma-Sutra” do bom rock alternativo

Dez anos após o Ep “Nowhere, Neverland” e seis após o álbum de estreia “Same old Sin”, os Skypho lançam o seu segundo álbum “Karma – Sutra” onde demonstram que não só cresceram uma enormidade mas como também que são dos mais criativos projectos dentro do espectro do Metal nacional. O novo disco é um compêndio de Rock/Metal alternativo. A música da banda surge mais refrescante do que nunca, continuando a fazer coabitar a melodia e inconformidade do rock alternativo com o peso do Metal de uma forma quase perfeita.

Um disco é altamente aconselhado para adeptos dos géneros e para melómanos que gostam de ouvir algo fora da caixa.

Painted Black – Admirável inquietude

Painted Black é das bandas que mais me apraz ouvir. É uma banda à cuja música não sou capaz de ficar indiferente. A banda tem mudado e o novo registo “Raging Light” reflecte a capacidade da banda em se renovar. É certo que recordo com saudades a envolvente melancolia dos Ep’s mas deleito-me com a riqueza de texturas dos novos temas que nos trás um novo pormenor a cada nova audição.

A banda começou com um Doom Metal melancólico com que se apresentou nos dois Ep’s “The Neverlight” e “Verbo”. Em “Cold Comfort” surgiram mais pesados reunindo elementos Doom com Death. Em 2017 a banda lançou finalmente o seu segundo álbum, deixando pelo caminho o Ep “Quarto Vazio”.

No disco recentemente lançado, a sonoridade da banda ganha maior versatilidade. Já pouco resta do Doom metal que esteve na sua génese, embora a melancolia continua a estar no ADN da banda mas de forma dissimulada. Mais óbvia é a roupagem progressiva em “Raging Light”, que já se antevia no trabalho anterior e que não é de todo estranha ao projecto de Luís Fazendeiro com Mick Moss (Sleeping Pulse).

“Raging Light” é pois um admirável disco recheado de composições inteligentes e inquietantes. É uma viagem musical capaz de nos transmitir os diversos sentimentos e sensações do ser humano.