Peguei em sementes firmes, castanhas, muitas,
Com o meu jeito “desajeitado”,
Lá as acertei no solo esburacado
Em terra de trajes e tradições,
Outrora, leito de couves, tomates, feijões…

Fé em que essa nespereira nasça.
Momento simples e único, espontâneo,
Que marcou com raça,
Que nunca na terra mexeu,
Quem nunca cedeu
À tentação de plantar
Um caroço, uma flor…
O que for!

Não é atitude minha,
É a de um Portugal inteiro,
Deserto de coragens,
Repleto eucalipto e pinheiro
E terras de por cultivar.
Paisagens.

A fome agradece.
Seria tão fácil sassear
Quem dela padece!
E trocar longos anos de estudos e escolas
Por galochas, ar puro e sacholas?
Não me parece!

Resta-me esperar que essa nespereira cresça,
Símbolo de alguém mentalmente sereno.
Como uma criança, que floresça
Num campo nunca pequeno.

A pequenez e a mediocridade,
Somos nós que as fazemos.

MFC