Novembers Doom – Hamartia

Pela primeira vez em 20 anos de carreira, os November Doom repetem a mesma formação em dois discos seguidos. E o mais curioso é que as constantes mexidas no line-up nunca se traduziram em registos pouco conseguidos. É de facto notável como esta banda conseguiu manter a bitola tão alta nos seus 10 álbuns e “Hamartia” não foge à regra.

A banda mantém o seu característico Death/Doom entre o melancólico e o agreste. É impossível dissociar a musica da banda com a voz do fundador Paul Kuhr. A sua magnifica voz, num registo gutural ou limpo e emotivo, acompanha de forma magistral as alternâncias sonoras da banda. Basta ouvirmos o primeiro (“Devils Light”) e ultimo (“Borderline”) temas do álbum e temos muito da identidade da banda. Tudo na música de Novembers Doom é emoção, seja sofrimento, agonia ou raiva. Se no primeiro tema temos a banda a debitar grunhidos e riffs arrasadores, o ultimo tema é de uma melodia e melancolia desarmantes. Um autêntico hino do Doom/Gothic com traços progressivos. Um tema que não deixará os adeptos de Katatonia indiferentes.

Mas não pense que o disco vale apenas por estes dois temas. Longe disso, todo ele é uma viagem de primeira classe aos mais profundos sentimentos da humanidade.

Blackield – Blackield V

Blackfield V é o quinto registo do duo formado pelo britânico Stenven Wilson (Porcupine Tree) e o israelita Aviv Geffen. Depois de 2 registos fantásticos, o projecto teve uma fase de menor fulgor criativo mas volta agora em força.

Em “V” temos aquilo que Blackfield consegue fazer de melhor, um pop/rock de traços progressivos onde a melancolia casa com melodias fantásticas.

“Blackfield V” está recheado de momentos mágicos mas temas como “How is Your Ride?” e “From 44 to 48” fazem-nos viajar por maravilhosas paisagens sonoras.

Deep Purple – inFinite

Os Deep Purple comemoram 50 anos de carreira no próximo ano mas anteciparam-se no presente para os seus fãs. E pese a longa carreira a banda parece não acusar o desgaste em “inFinite”. O novo álbum é um disco e Hard Rock, duro e pesado qb com uma faceta progressiva que é apanágio da banda. Este é um registo mais directo e menos experimental que o seu antecessor, “Now What?!” (2013).

Não sendo um disco recheado de clássicos, está longe de acrescentar apenas número (trata-se do 20º álbum de estúdio). Temos um disco com excelentes temas como “All I Got Is You”, “One Night in Vegas”, “Time for Bedlam” mais a cover do mítico tema “Roadhouse Blues” dos Doors com que banda se despede deste disco.

Ulver – The Assassination of Julius Caesar

Os noruegueses Ulver andam em constante metamorphose. Depois dos longínquos tempos de Black/Folk Metal, a banda tem enveredado por um caminho experimentalista, entre o avant-garde e a musica ambiental de traços eletrónicos. Mas em “The Assassination of Julius Caesar”, a banda demonstra que a sua capacidade de surpreender está longe de se esgotar.

O 13º álbum de estúdio é uma homenagem ao Synthpop e New Wave tão em voga nos anos 80, sendo clara a referência aos Depeche Mode. O disco começa em grande com “Nemoralia”, tema sobre a princesa Diana e a sua morte na “capital do romance” (Paris), segue com épico “Rolling Stone”, um tema altamente dançável mas que culmina numa esquizofrénica apoteose. Estes são apenas dois exemplos de um registo repleto de geniais momentos e transições entre o doce do pop e uma faceta negra que os Ulver teimam em não abandonar. Sempre com grande elegância.

Vamos dançar?