Os açorianos Sanctus Nosferatu revelaram-se numa das boas surpresas do panorama nacional em 2012 graças ao álbum de estreia, ‘Samca’. Conjugando elementos de Black Metal com Thrash/Death e com uma vocalização personalizada o disco desta banda insular capta a atenção imediata do ouvinte. Sobre o trabalho desenrolado antes e após ‘Samca’ a banda partilhou algumas ideias conosco que aqui transcrevemos.

Um factor curioso é o facto de ‘Samca’ se tratar de um álbum de estreia para uma banda que conta com 10 anos de existência. Algo que se compreende atendendo que a existência da banda se revelou num “percurso sinuoso até início de 2006 com diversas entradas e saídas de elementos condicionando a evolução da banda. Posteriormente e com os músicos atuais a estabilidade, felizmente, foi conseguida. Estamos a evoluir como banda e músicos tendo uma base sólida e é assim que queremos prosseguir o nosso caminho. A edição desse álbum simboliza sim a constante procura pela máxima promoção da nossa música junto do público e entidades, para além da realização de um sonho comum a todos, acarreta em si um aumento exponencial de responsabilidades.

‘Samca’ foi captado nos NeburRecords (Açores) com colaboração exterior de forma a conseguirem uma visão diferente. Visão essa que “foi dada pelo Ruben Moniz durante o processo de captação na NeburRecords, a mesma tornou-se um fator importante e extremamente satisfatório para nós, conhecíamos o Ruben quando gravamos o single Revelation em 2006 e continuamos a optar por ele por ser uma pessoa muito trabalhadora e perfeccionista. Outro fator importante foi a introdução de mais um elemento na procura do som que queríamos para o álbum, daí o mesmo ser misturado e masterizado pelo André, pois todo o processo de gravação por vezes torna o nosso ouvido ‘duro’ àquilo que já ouvidos milhares de vezes podendo escapar alguns pormenores que lá estando poderiam engrandecer a musica. Para nós as parcerias escolhidas foram muito importantes para o produto final ‘SAMCA’“.

Meses após o lançamento do álbum a banda retira algumas ilações sobre este. Assim em jeito de balanço “estamos satisfeitos com o alcançado até então pois toda a promoção foi efetuada pela banda, certamente há algumas arestas a limar pois somos uma banda jovem nessas lides promocionais alguns aspectos relativos à promoção poderiam ter sido explorados de forma diferente, mas já o velho sábio dizia ‘vivendo e aprendendo’. Relativamente ao feedback, o mesmo, têm sido positivo e gostaríamos que assim continuasse. A conclusão a que se pode chegar com todo esse processo é que para chegarmos além dos nossos objetivos iniciais teremos que continuar a trabalhar árdua e honestamente visando patamares superiores ao qual nos encontramos“.

Uma das reações mais espontâneas que é possível registar durante a audição do álbum está ligada ao vozeirão de Camila. Uma reação á qual os restantes elementos da banda sentem alguma familiaridade. “Relativamente à Camila deixa-nos muitos orgulhosos poder contar com uma grande vocalista como ela, quando a vimos entrar pela sala de ensaios no primeiro dia não estávamos à espera do que ouvimos a seguir (risos) uma ‘miuda’ de 16 anos com um registo vocal gutural e clean, estávamos a tocar nem me lembro que tema a única coisa que me lembro foi de pensar ‘nem acredito nos meus ouvidos’ (risos). Espero que os ouvintes apreciem o nosso trabalho e que nos continuem a apoiar cada vez mais como têm feito até então. Aproveito para enviar um grande abraço a todos aqueles que adquiriram o álbum ajudando-nos e muito dessa forma. Um obrigado a todos eles“.

Como habitual, pese a qualidade da obra, a promoção de um álbum é imperativa para fazer chegar este ao maior número de ouvidos possíveis. Os Sanctus Nosferatu não fogem à regra pelo quisemos saber como tem decorrido a promoção levado a cabo pela banda.

Relativamente a concertos apresentamos o álbum no passado dia 29 de Setembro em São Miguel gostaríamos que fosse ai no Continente mas tal não foi possível. Em São Miguel atualmente existe apenas um local onde poder-se-á realizar eventos de metal, os fãs de metal são relativamente poucos daí a escassez de promoção ao vivo. Quanto à promoção ao vivo da banda ai no Continente continuaremos a tentar arranjar algumas datas, por vezes é difícil devido à nossa situação geográfica e questão financeira no que concerne ao preço das passagens aéreas. Atualmente para participarmos em algum festival no continente quase todos têm warm-up o que dificulta a ‘vida’ às bandas açorianas que queiram participar ora vejamos, por pessoa uma passagem custa 200 euros + transportes + estadia + alimentação para a tocarmos cerca de 15 minutos estando sempre implícita a decisão de um júri que correta para uns e incorreta para outros é sempre uma opinião sobre o que acabaram de ver naquele preciso momento o que a meu ver é uma visão diminuta do trabalho que qualquer banda têm que desenvolver em sala de ensaios e outros espetáculos ao vivo. Compreendo as organizações dos festivais pois as warm-up são sempre mais uma forma de promoção do evento e um suposto meio de seleção da qualidade das bandas. Outro factor importante é a dificuldade financeira que atravessa o nosso País pois os organizadores de eventos andam a contar os euros até ao dia de abertura do festival o que por si só dificulta para além dos organizadores e promotores as próprias bandas que têm que percorrer longas distancias para lá tocarem pois a organização de uma viagem Açores/Continente necessita de uma preparação prévia com alguns meses de antecedência. Apesar de tudo isso e por sermos muito teimosos (risos) iremos continuar a definir estratégias até final do ano visando esse objetivo que é podermos mostrar o nosso trabalho ao vivo ao máximo de público possível“.

Quer o publico como a critica acabam por se recorrer a nomes de bandas que são referências dentro do gênero musical para descrever o som da banda. Algo que nos leva a questionar se isto não acaba por ser um pouco desconfortável para uma banda que conta com 10 anos de percurso e procura apresentar um som próprio. Até que ponto os Sanctus Nosferatu sentem que a identidade da banda não está órfã dessas referências?

“Não negamos as nossas influências, sendo elas: Dimmu Borgir, Cradle of Filth, Iron Maiden, Slayer… todos nós temos influencias, todas as bandas têm influência de outras, sinceramente não nos entristece compararem a nossa sonoridade com bandas de tão alta qualidade, julgo até que constitui um fator de satisfação. È o nosso primeiro álbum somos jovens com muita vontade e determinação na constante procura da definição da nossa sonoridade, contudo isso não acontece do dia para a noite existe todo um processo evolutivo uns mais rápidos outros mais lentos o importante é que sejam processos evolutivos com bases solidas”.

Uma resposta leva, quase sempre, a outra pergunta. Como funciona a banda a banda em termos de composição? Existe um núcleo criativo ou todos os elementos parti
cipam activamente no processo?

“Honestamente não seguimos uma ‘formula’ à risca mas sim deixamos as coisas acontecer naturalmente compomos em sala de ensaios e/ou por vezes algum de nós compõe algo em casa, por vezes basta um riff desprovido de outras composições adjacentes e as ideias começam a surgir naturalmente”.

Sanctus-NosferatuDos temas que integram o álbum, “Revelation” é um tema que já era conhecido aquando da edição da promo track em 2007 e pela inclusão em algumas compilações nacionais. Algo que nos levou a questionar a inclusão deste tema no álbum… A resposta foi curta mas firme.”Decidimos integrar o tema ‘Revelation’ por ser parte fundamental da lírica do álbum, a salientar que o mesmo sofreu ainda algumas alterações a nível instrumental, vocal e melhoria evidente em termos sonoros”.

Ainda sobre o álbum quisemos sacar da banda uma breve descrição dos temas, que foi esta:

Relativamente à lirica do álbum , ‘Revelation’ incide numa discussão divina onde no seu final é realizada uma profecia que irá despontar uma ‘Nosferatu Jihad’ rica em mortes, clãs vampiricos e jogos políticos levando à introdução de um ser poderoso  ‘Astarteia’ que partilha de uma maldição com Caine, ‘The Prophecy os Shackles’. Contudo todos os esforços são infurtiferos contra os Nosferatu liderados por Samca que continuam a destruir tudo a sua passagem onde são canibalizados corpos ‘Cannibalize Corpse’ e de seguida as almas das suas vitimas sugadas por Samca proporcionando-lhe dessa forma um poder aniquilador ainda mais foraz. Isso obriga todos os clãs vampíricos a deixarem de lado as suas diferenças e aliarem-se na procura de uma força que desequilibre o rumo da guerra a seu favor. Eis que surge Erzsébet Bathory que sendo uma Darvulia’s Apprentice usa todo o poder da magia, luxuria, devassidão para tentar destruir a ‘Impregnated Dark Soul’ de Samca numa batalha épica carregada de energias demoníacas e pactos de sangue. Quando por fim surge o exilado Criador e mais perfeito vampiro SPIRITUS MAGNUS em auxilio de uma das forças. ‘Reflection’ proporcionará uma ambiente calmo envolto em misticismo servindo para o ouvinte reflectir sobre o que anteriormente foi descrito”.

‘Dissecado’ o álbum partimos para a despedida. “Gostariamos de agradecer por esta oportunidade de continuarmos a promover o nosso trabalho SAMCA. Enviar um MUITO OBRIGADO a todos aqueles que nos têm apoiado. Visitem o nosso site www.facebook.com/sanctusnosferatu deixem as vossas opiniões e sugestões. Para aquisição do album “SAMCA” poderão efetuar por email: sanctusnosferatu@hotmail.com , na Carbono Amadora e Banana Art Factory. Sigam-nos tambem em www.reverbnation.com/sanctusnosferatu, www.twitter.com/sanctusnosferat, www.myspace.com/sanctusnosferatuband.