Mesmo com o dia atarefado pela frente, a minha vontade é, muitas vezes, não fazer nada! Lembrei-me de uma passagem do filme “Comer, Rezar e Amar”, onde os italianos explicam como conseguem ser os melhores na arte de não fazer nada (dolce fare niente). Essa expressão italiana que significa algo como “o doce de nada fazer” é muito utilizada para demonstrar a arte de saber quando não fazer nada e desfrutar desses momentos, sem nenhuma culpa. Sem sequer pensar. Um estado de espírito tão simples mas, ao mesmo tempo, tão difícil de alcançar.

Nos dias atuais, torna-se difícil imaginar-nos a não fazer nada, com tantas tarefas a serem feitas ao longo do dia. Poderá parecer coisa de gente preguiçosa, mas não é! Experimente! Tire um dia para si ou apenas alguns minutos para aplicar tal condição – estar parado. Se não se fizer esse “sacrifício”, corremos o risco de estarmos sempre ocupados com algo ou alguém. Esquecemos de viver a vida, de saboreá-la, aproveitando cada momento em que estamos só com nós próprios. O auto conhecimento é um ponto crucial para nos sentirmos bem mas, para que isso aconteça, desligue todos os virtualismos que o rodeia – os telemóveis, a televisão, o router… Guarde o relógio na gaveta porque, cada vez mais, o tempo é o nosso grande inimigo. Abra a janela e escute o silêncio! Se este não existir, invente-o, no sentido de fazer o “não fazer nada”. Absolutamente.

Há técnicas que nos ensinam tal arte e como aplica-las no nosso dia-a-dia, prometendo que seremos menos “stressados”, mais produtivos e concentrados nas nossas tarefas diárias.

Pare sentado ou sentada no chão, escute o silêncio das moscas e olhe as cores das paredes mudas mas cheias de segredos. Vai ver que descobre viagens fantásticas sem sair do seu cantinho. O ócio é um prazer que nos podemos dar ao luxo de usufruir. Assim seja essa a nossa vontade.