Sejamos quem formos, há sempre alguém que nos fez ou fará mal, seja por inveja, por não se identificar connosco, por maldade (há pessoas más no mundo), por amor (um contra-senso), por doença mental (e não existe culpa) ou até por vingança porque, consciente ou inconscientemente, fizemos mal a alguém. Mas haverá alguma situação que justifique o ato de vingança? Cristo e outras figuras da Históricas diriam, afincadamente, que não. Eu, com o egoísmo inerente ao comum mortal, afirmo que sim! Se tocarem com um dedo nas quatro, cinco, seis pessoas que amo, só se eu não puder retribuir com vingança a dobrar. Mas atenção, estou a falar somente em casos extremos de violências físicas e/ou psicológicas. Orgulho-me de nunca ter sentido sabor da vingança, tanto como vingador como vingado, o que vinga bem o trajeto que tem sido traçado por mim e para mim.

Em qualquer tipo de vingança, sairá sempre alguém magoado e, frequentemente, pessoas de quem gostamos, portanto, a nossa vingança acaba por se espalhar para alvos que não tencionamos atingir. Nós próprios acabamos vítimas da nossa vingança supérflua, cega e sem dividendos para nenhuma das partes envolvidas. Volta-se a vingança também contra o vingador. Basicamente, uma guerra que ninguém vence que deve ter um sabor amargo, salpicado com amargura.

Dentro dos parâmetros comportamentais em que deveriam assentar os valores dos ditos civilizados, seria lógico e racional envergar por atos simples e nobres como a reflexão, o diálogo, o respirar fundo, o silêncio, a sensatez, a compreensão… Em último caso, o desprezo resolve.

Vingança! Não conhecer o seu sabor é um saber.

MFC