Celine Dion foi uma das divas que sempre admirámos, a minha irmã e eu. A data do seu nascimento veio colmatar o fracasso do meu e, nesse dia, senti que tinha renascido. Desses tempos, fica a nossa infância feliz. Maria rapaz para jogar à bola e ao berlinde comigo. Andar às voltinhas na bicicleta no quintalzinho dos nossos imensos sonhos, brincadeiras e alguns tombos à mistura. Menina capaz de dar bolachas e amêndoas à boca dum mano aparentemente diferente, de quem nunca teve vergonha porque a sua inteligência e educação permitiram-lhe assimilar os valores que a nossa mãe sempre nos incutiu e exigiu. Ela e eu éramos felizes com muito pouco, mas um pouco que significava muito.

Na adolescência, não se afastou do irmão como, aliás, seria normal. Pelo contrário, trouxe-me as Antas à minha vida. Debaixo de chuva ou sol, empurrava a minha cadeira e levava-me até ao melhor sítio do mundo, “só” para ver o Porto jogar! Descia-me aquela rampa abismo que dava acesso ao relvado de toda a minha fantasia com uma técnica invejável. Eu lá ficava na rede e ela subia 3 ou 4 bancadas, sempre de olho no irmão que podia ter sede ou frio. Juntos, vivemos intempéries destemidos, golos só nossos e festejos que perduram no tempo. Nunca lhe conseguirei exprimir o tamanho da minha gratidão por cada vitória, empates raros e derrotas insignificantes.

A nossa odisseia de vida com os nossos empregos, casa nova em comum e… O Estádio do Dragão! Desafios, deslumbramentos e projetos de vida sempre a contar comigo, e contou com a minha ajuda e apoio também sempre que precisou. Desavenças entre irmãos são naturais mas penso que nunca deixámos de o ser, verdadeiramente, mesmo em momentos mais críticos, de mudança ou de opiniões diferentes. O ato de perdoar inconscientemente resolveu esses dilemas mais amargos.

Sempre sonhei e lutei pela felicidade da minha irmã e isso sei que conseguimos juntos. Os meus sobrinhos, frutos de si mesma e as duas únicas pessoas que amo verdadeiramente, são a prova viva dessa mesma felicidade. Hoje, a minha irmã é a minha melhor amiga. A seguir à minha mãe sempre enorme, é a mulher que mais admiro, pelo seu caráter, determinação e postura perante a vida. Quem é capaz de dar banho, vestir, alimentar e pegar ao colo um homem como eu, só pode ser uma pessoa de uma riqueza grandiosa, como a minha irmã o é. Tudo o que conseguiu de bom na sua vida, merece, incondicionalmente!

Depois, e para aumentar ainda mais essa gratidão incompensável da minha parte, há iPhones, Macs, colunas JBL, relógios, roupa e calçado, todo um conjunto de objetos que, à margem do materialismo dos nossos dias, tornam-se cruciais para compensar outras vertentes mais carenciadas no quotidiano de alguém que luta por objetivos, se quiserem, menos audazes do que a maioria do cidadão comum. A minha irmã percebe isso muito bem, pode dar e dá sem hesitar, demonstrando também, nesse aspeto, um espírito de partilha invejável. E aqui, entra também o meu cunhado de quem tenho muito orgulho, admiração e estima.

Sei que haverá sempre uma Estrela na minha vida! O álbum “A New Day Has Come” ainda faz sentido perante uma diva como tu.

MFC